Biólogo das Cobras

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Surucucu-do-pantanal

A Surucucu-do-pantanal, Hydrodynastes gigas, também conhecida como Jararacussu-do-brejo, Jararacussu-piau e Boipevassu, é uma das maiores cobras da América do Sul, podendo chegar até 3 metros de comprimento total. É uma serpente generalista, que se alimenta de anfíbios, répteis, peixes, mamíferos, aves e até carniça (López & Giraudo, 2004). Um estratégia predatória desta serpente é o uso da cauda para espantar suas presas abrigadas em moitas, expondo-as para seu ataque (Strüssmann & Sazima, 1990). Se destacando como uma grande predadora nos ecossistemas aquáticos sul-americanos (Giraudo et al., 2014), onde está amplamente distribuída (Carvalho et al., 2020). Apesar de haver registro de envenenamento com a picada desta espécie, não há consequências médicas graves (Keyler et al. 2016).


Carvalho PS, Zaher H, da Silva Jr NJ, Santana DJ. 2020 . Um estudo morfológico e molecular de Hydrodynastes gigas (Serpentes, Dipsadidae), uma espécie difundida na América do Sul . PeerJ 8 : e10073 https://doi.org/10.7717/peerj.10073
Giraudo, A. R., Arzamendia, V., Bellini, G. P., Bessa, C. A., & Costanzo, M. B. (2014). Ecología de una gran serpiente sudamericana, Hydrodynastes gigas (Serpentes: Dipsadidae). Revista mexicana de biodiversidad, 85(4), 1206-1216. https://doi.org/10.7550/rmb.43765
Keyler, D. E., Richards, D. P., Warrell, D. A., & Weinstein, S. A. (2016). Local envenomation from the bite of a juvenile false water cobra (Hydrodynastes gigas; Dipsadidae). Toxicon, 111, 58-61. https://doi.org/10.1016/j.toxicon.2015.12.015
López, M. S., & Giraudo, A. (2004). Diet of the large water snake Hydrodynastes gigas (Colubridae) from northeast Argentina. Amphibia-Reptilia, 25(2), 178-184. https://doi.org/10.1163/1568538041231148
STRÜSSMANN, C. & SAZIMA, I. (1990). UMA TATICA DE CAÇA DA SERPENTE HYDRODYNASTES GIGAS NO PANTANAL, MATO GROSSO. Mem. Inst. Butantan, 52(2), 57-61. https://ecoevo.com.br/publicacoes/pesquisadores/ivan_sazima/1990_esquadrinhascomacaudau.pdf

Jararaca-da-seca

Foto: M.L.O. Travassos (Marques et al., 2016)

A Jararaca-da-caatinga, Bothrops erythromelas, também conhecida como Jararaca-da-seca e Jararaca-malha-de-cascavel está presente na caatinga (Freitas, 2003). É uma serpente pequena (menor que 1m), marrom-avermelhada, robusta, terrestre, com atividade crepuscular e noturna, alimentando-se de rãs, lagartos e roedores (De Oliveira et al., 2018; Freitas, 2003). Quando ameaçadas, podem exibir tanatose, um comportamento de fingimento de morte com o boca ligeiramente aberta e parte ventral do corpo voltada para cima (dos Santos & da Silva Muniz, 2012). Sua toxina apresenta atividade inflamatória, hemorrágica e coagulante (Oliveira et al., 2010; Santoro et al., 2015).

As Bothrops são responsáveis pela maior parte dos acidentes ofídicos no Brasil, incluindo o sertão nordestino, que atribuídos a esta espécie (Oliveira et al., 2010; Ministério da Saúde, 2019) e podem causar hemorragia, edema, dor, mionecrose, hipotensão e insuficiência renal aguda (de Sousa et al., 2016). Suas miotoxinas foram comparadas, demonstrando efeito de cinco a oito vezes maior para o grupo das B. jararacussu, B. moojeni, B. neuwiedi e B. pradoi do que para B. erythromelas, B. alternatus, B. atrox, B. cotiara e B. jararaca, sendo esta última fracamente relacionada ao grupo anterior (Moura-da-Silva, Cardoso & Tanizaki, 1990). Outro estudo, além da miotoxicidade, avaliou efeitos neurotóxicos, exibindo variados graus de bloqueio neuromuscular e a neutralização desse efeito pelo soro antibotrópico em B. erythromelas foi de 65,8%, variando para as outras espécies (Zamunér et al., 2004). Em uma análise comparativa entre a toxina das fêmeas de Bothrops e seus descendentes, notou-se variação ontogenética da peçonha, onde a atividade caseinolítica de todos os venenos de cobras fêmeas e a atividade pró-coagulante de seus filhotes foram extremamente altas e, B. erythromelas, tanto a mãe quanto sua prole não apresentaram atividade amidolítica e os mais elevados níveis de fator X e ativadores de protrombina sem ação semelhante à trombina (Furtado et al., 1991).

Estudos filogenéticos sugerem hibridização introgressiva desta espécie e reportam que B. erythromelas foi a primeira a divergir do grupo B. neuwiedi na Caatinga, seguida por B. lutzie no Cerrado (Machado, Silva & Silva, 2013), com híbridos em cativeiro entre B. erythromelas e B. neuwiedi (Santoro et al., 2015).

Uma revisão da toxina desta espécie está disponível em Nery et al. (2016), abordando, além destes estudos supracitados, pesquisas que apontam a identificação de uma proteína para determinar envenenamento por B. erythromelas, efeito renal desta peçonha em estudo de fator de resistência em soro de gambá, semelhança genética com B. moojeni, maior similaridade com veneno de B. alternatus e outros estudos realizados ao longo de 36 anos com o veneno desta espécie.


De Oliveira, M C; Da Silva, É G; Lima, V F; Teixeira, A A M; Teles, D A; De Araujo Filho, J A & De Oliveira Almeida, W 2018. Bothrops erythromelas (Jararaca) Diet. Herpetological Review 49 (2): 335 https://www.dropbox.com/s/abysg75cvmbi6tk/HerpRev_June_2018_Herpetoculture_Notes.pdf?dl=1
de Sousa, F. C. M., Jorge, A. R. C., Torres, A. F. C., Mello, C. P., Lima, D. B., Nojosa, D. M. B., ... & Monteiro, H. S. A. (2016). Bothrops erythromelas () venom induces apoptosis on renal tubular epithelial cells. Toxicon, 118, 82-85. https://doi.org/10.1016/j.toxicon.2016.04.040
dos santos, E. M. & da Silva Muniz, S. L. 2012. Bothropoides erythromelas (Jaracara) defensive behavior: death-feigning. Herpetological Review 43(2): 340-341 https://www.dropbox.com/s/ja93rcq9voi8sq9/HR%20June%202012%20ebook.pdf?dl=1
Freitas, M. A. de (2003). Serpentes brasileiras. 160 p.
Furtado MFD, Maruyama M, Kamiguti AS, Antonio LC (1991) Comparative study of nine Bothrops snake venoms from adult female snakes and their offspring. Toxicon 29: 219–226. pmid:1646500 https://doi.org/10.1016/0041-0101(91)90106-2
Machado T, Silva VX, Silva MJ (2013) Relações filogenéticas dentro do grupo Bothrops neuwiedi (Serpentes, Squamata): Linhagens geograficamente altamente estruturadas, evidência de hibridização introgressiva e diversificação Neógena / Quaternária. Mol Phylogenet Evol 71C: 1-14. https://doi.org/10.1016/j.ympev.2013.10.003
Marques R, Mebert K, Fonseca É, Rödder D, Solé M, Tinôco MS (2016) Composition and natural history notes of the coastal snake assemblage from Northern Bahia, Brazil. ZooKeys 611: 93-142. https://doi.org/10.3897/zookeys.611.9529
Ministério da Saúde, 2019. http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinannet/cnv/animaisbr.def
Moura-da-Silva, AM, Cardoso, DF, & Tanizaki, MM (1990). Diferenças na distribuição de proteínas miotóxicas em venenos de diferentes espécies de Bothrops. Toxicon , 28 (11), 1293-1301. https://doi.org/10.1016/0041-0101(90)90094-N
Nery, N. M., Luna, K. P., Fernandes, C. F. C., & Zuliani, J. P. (2016). An overview of Bothrops erythromelas venom. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, 49, 680-686. https://doi.org/10.1590/0037-8682-0195-2016
Oliveira FN, Brito MT, Morais ICO, Fook SML, Albuquerque HN (2010) Acidentes por Bothrops e Bothropoides no Estado da Paraíba: aspectos epidemiológicos e clínicos. Rev Soc Bras Med Trop 43: 662–667. pmid: 21181019. https://doi.org/10.1590/s0037-86822010000600012
Santoro, ML, do Carmo, T., Cunha, BHL, Alves, AF, Zelanis, A., Serrano, SMDT, ... & Fernandes, W. (2015). Variação ontogenética nas atividades biológicas de venenos de híbridos entre serpentes Bothrops erythromelas e Bothrops neuwiedi. PloS one , 10 (12), e0145516.https://doi.org/10.1371/journal.pone.0145516
Zamunér, S. R., da Cruz-Höfling, M. A., Corrado, A. P., Hyslop, S., & Rodrigues-Simioni, L. (2004). Comparison of the neurotoxic and myotoxic effects of Brazilian Bothrops venoms and their neutralization by commercial antivenom. Toxicon, 44(3), 259-271. https://doi.org/10.1016/j.toxicon.2004.05.029

Picada de Falsa-coral

Oxyrhopus rhombifer, by Chácara Comédia Selvagem https://youtu.be/97OwwPIy1fg

A serpente Oxyrhopus rhombifer, conhecida como falsa-coral, devido seu padrão de cores em bandas pretas, brancas ou amarelas e vermelhas, semelhantes às cobras corais verdadeiras, embora haja registro anômalo de mesma coloração em listras longitudinais (Azevedo et al., 2018). É uma espécie de colubrídeo de tamanho pequeno, menor que 100 cm, terrestre e noturna, apesar de eventualmente ser vista sobre vegetação cerca de 20 cm do solo e também durante o dia, principalmente em áreas abertas (Sawaya et al., 2008; Menezes et al., 2018), ocorre na Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia e em todos os biomas brasileiros (Nogueira et al., 2019). É uma espécie generalista, alimentando-se principalmente de lagartos, pequenos mamíferos e cobras (Sawaya et al. 2008, Quintela et al., 2020) e servindo de alimento para outros animais como coruja-buraqueira (Sawaya et al., 2003; dos Santos et al., 2021). É ovípara, com ninhada variando de quatro a 17 ovos (Gaiarsa et al. 2013) e apresenta dimorfismo sexual, com fêmeas maiores que machos (Quintela et al., 2020).

Sua coloração aposemática é um mecanismo de defesa, como um sinal de advertência e perigo para quem ser aproximar, mesmo que seja um blefe. Dentre os comportamentos defensivos que as serpentes podem exibir, esta falsa-coral pode permanecer imóvel, fazer a compressão dorsoventral do corpo, exibir a cauda, elevação do primeiro terço do corpo, vibração corporal, postura em "S", movimentos erráticos, falso bote, descargas cloacais, escondendo a cabeça, fuga e bote (de Assis et al., 2020), muitos deles exibidos no vídeo do canal Chácara Comédia Selvagem (2021).

Esta espécie já foi mencionada como não venenosa potencialmente perigosa (Lema, 1978) e este gênero corresponde à ~9% das picadas em humanos feitas por cobras opistóglifas (Prado-Franceschi & Hyslop, 2002), com uma outra espécie congênere, Oxyrhopus guibei, causando 205 casos ao longo de mais de 70 anos de registros no Hospital Vital Brazil, no Instituto Butantan, São Paulo (Silva, 2019). As picadas de O. guibei geraram manifestações clínicas locais com dor, sangramento transitório, eritema, edema, parestesia, dor intensa , dor irradiada e equimose. Apenas 18,5% dos pacientes manifestaram sintomas sistêmicos com tontura transitória ou cefaleia leve, sendo tratados com antissépticos, anti-histamínicos e analgésicos e 33,7% dos pacientes não apresentaram evidências de envenenamento. Nenhum paciente apresentou sequela ou complicações (Silva, 2019). Demonstrando que acidentes com este tipo de cobra são leves, mas devido sua semelhança com corais verdadeiras, potencialmente letais, toda cuidado deve ser tomado, a fim de evitar acidentes fatais.


Mordida de falsa-coral
Azevedo, W. D. S., Quintela, F. M., Entiauspe-Neto, O. M., Abegg, A. D., Porciúncula, R. A., & Loebmann, D. (2018). Anomalous colour pattern in Oxyrhopus rhombifer (Serpentes: Dipsadidae). Herpetology Notes, 11, 553-555. https://www.biotaxa.org/hn/article/download/35591/34210
Chácara Comédia Selvagem (2021). CHARLLES FOI MORDIDO POR UMA COBRA CORAL | CHÁCARA COMÉDIA SELVAGEM, disponível em 29 de junho de 2021. https://youtu.be/97OwwPIy1fg
de Assis, C. L., Guedes, J. J. M., de Jesus, L. M. G., & Feio, R. N. (2020). New defensive behaviour of the false coral snake Oxyrhopus rhombifer Duméril, Bibron & Duméril, 1854 (Serpentes, Dipsadidae) in south-eastern Brazil. Neotropical Biology and Conservation, 15(1): 71–76. https://doi.org/10.3897/neotropical.15.e48564
dos Santos, R. K. C., Citeli, N. K., da Silva, E. M. L., Otero, G. M., Barreto-Lima, A. F., Brandão, R. A., & de-Carvalho, M. (2021). Reptiles preyed by the Burrowing owl (Athene cunicularia): new records and current knowledge in South America. Heringeriana, 15, 40-47. https://doi.org/10.17648/heringeriana.v15i1.917956 https://doi.org/10.1590/S0031-10492013001900001
Lema, T. (1978). Cobras não venenosas que matam. Natureza em Revista, 4, 38-46.
Menezes FA, Abegg AD, Silva BR, Franco FL, Feio RN (2018) Composition and natural history of the snakes from the Parque Estadual da Serra do Papagaio, southern Minas Gerais, Serra da Mantiqueira, Brazil. ZooKeys 797: 117-160. https://doi.org/10.3897/zookeys.797.24549
Nogueira, C. C., Argôlo, A. J., Arzamendia, V., Azevedo, J. A., Barbo, F. E., Bérnils, R. S., ... & Martins, M. (2019). Atlas of Brazilian snakes: verified point-locality maps to mitigate the Wallacean shortfall in a megadiverse snake fauna. South American Journal of Herpetology, 14(sp1), 1-274. https://doi.org/10.2994/SAJH-D-19-00120.1
Prado-Franceschi, J., & Hyslop, S. (2002). South American colubrid envenomations. Journal of Toxicology: Toxin Reviews, 21(1-2), 117-158. https://doi.org/10.1081/TXR-120004744
Quintela, F. M., Caseiro, F., & Loebmann, D. (2020). Notes on sexual dimorphism, diet and reproduction of the false coral snake Oxyrhopus rhombifer Duméril, Bibron & Duméril, 1854 (Dipsadidae: Pseudoboini) from coastal plains of Subtropical Brazil. Acta Herpetologica, 15(2), 143-148. https://doi.org/10.13128/a_h-7875
Sawaya, R. J., Ariedi-Junior, V. R., Monteiro, C., & Spina, F. (2003). Oxyrhopus rhombifer (false coral snake). Predation. Herpetol. Rev, 34(4), 152-153. https://www.researchgate.net/publication/291321073_SAWAYA_R_J_ARIEDI-JUNIOR_V_R_MONTEIRO_C_SPINA_F_2003_Oxyrhopus_rhombifer_False_Coral_Snake_Predation_Herpetological_Review_34_152-153
Sawaya, R. J., Marques, O. A. V., & Martins, M. (2008). Composition and natural history of a Cerrado snake assemblage at Itirapina, São Paulo state, southeastern Brazil. Biota neotropica, 8, 127-149. https://doi.org/10.1590/S1676-06032008000200015 https://www.scielo.br/j/bn/a/s3bJ79MqNg78PY4fVd39yPd/?format=pdf&lang=pt
Silva, M. C. D. (2019). Acidentes por serpente falsa coral Oxyrhopus guibei (Hoge &Romano, 1978): estudo retrospectivo de 205 casos atendidos no Hospital Vital Brazil no período de 1945 a 2018. https://repositorio.butantan.gov.br/handle/butantan/3846

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Raul Santos Seixas

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